10 diferenças que fazem toda a diferença

Flávio PinaCEO/CCO Loggia
Levi CarneiroHead Estratégia Loggia
—Por que falar de marcas cooperativas?

Paper Loggia · WCM 2026

Por que falar de marcas cooperativas?

As marcas nos ajudam a reconhecer diferenças entre organizações, causas e produtos.E poucas carregam diferenças tão particulares quanto as marcas cooperativas.

Elas representam mais do que uma organização ou seus produtos. Expressam um modelo de negócio diferente, uma cultura própria e uma forma singular de gerar valor, baseada na participação, no interesse coletivo e no desenvolvimento das comunidades.

Este material nasce para ampliar o conhecimento e estimular o diálogo sobre essas marcas.

  • O que torna uma marca cooperativa diferente?
  • Como transformar essa diferença em valor, relevância e preferência?
  • E qual é o papel do branding nessa construção?
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Já nascem com propósito

Os consultores Simon Sinek e Joey Reiman, duas referências na discussão dos negócios e marcas contemporâneos, convergem ao realçar esse ponto: propósito é a razão de ser, o porquê de uma organização ou mesmo de uma vida.

No caso das cooperativas, esse é um fundamento que vai muito além de uma declaração estampada na parede ou de uma publicação nas redes sociais. De maneira genuína, as marcas das cooperativas já nascem com um propósito definido e inscrito em seu código genético: são criadas para realizar interesses coletivos, comuns e compartilhados — os interesses dos cooperados e de suas comunidades.

Cooperar, portanto, é a inspiração primeira desse modelo associativo de negócio e um dos pilares essenciais de seu branding. Um primeiro traço bastante diferente das organizações orientadas exclusivamente por interesses privados e pela apropriação particular dos resultados.

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Propósito que gera resultados

Os reflexos do propósito cooperativista não ficam apenas no campo das ideias. Eles se traduzem em iniciativas concretas.

Como isso acontece? Pela distribuição de resultados aos cooperados e pelos investimentos realizados nas cidades e regiões onde as cooperativas estão presentes.

R$ 49,8 biem benefícios financeiros repassados aos cooperados do Sicoob
R$ 31,1 birepassados aos cooperados do Sicredi

Fonte: Banco Central do Brasil, 2025

O Banco Central do Brasil comprovou, em 2025, esse repasse de benefícios financeiros aos cooperados, um retorno que não encontra paralelo entre os bancos tradicionais.

Quanto aos benefícios para as comunidades, pesquisa realizada pela FIPE, em parceria com o Sistema OCB (2024), demonstra que os municípios com cooperativas de crédito registraram:

+10%no PIB per capita
+15%ou mais na geração de empregos
+15%ou mais na abertura de novos negócios

Fonte: FIPE e Sistema OCB, 2024

Ou seja: onde há uma marca cooperativa, há mais renda distribuída, mais oportunidades compartilhadas e mais desenvolvimento local.

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História para contar

Não é comum encontrar organizações cuja trajetória atravesse séculos. As cooperativas, entretanto, têm, sim, uma história para contar.

Desde a Antiguidade, existem organizações de ajuda mútua, mas a primeira cooperativa documentada é a Sociedade dos Tecelões de Fenwick, na Escócia, em 1761. No entanto, só em 1844, com os Pioneiros de Rochdale, na Inglaterra, o cooperativismo ganha estrutura e princípios modernos que duram até hoje.

  1. 1761Tecelões de Fenwick, Escócia: a primeira cooperativa documentada
  2. 1844Pioneiros de Rochdale, Inglaterra: estrutura e princípios modernos
  3. 1889Ouro Preto (MG): cooperativa de consumo de servidores públicos
  4. 1902Nova Petrópolis (RS): primeira cooperativa de crédito do país

No Brasil, dois marcos merecem destaque. Em 1889, foi fundada, em Ouro Preto (MG), uma cooperativa de consumo que oferecia produtos a preços acessíveis e benefícios a seus associados, todos servidores públicos. Em 1902, surgiu, em Nova Petrópolis (RS), a primeira cooperativa de crédito do país, criada para viabilizar financiamento e estimular a produção agrícola da região.

Essa longa trajetória permite que as marcas de cooperativas recorram, com plena autenticidade — como propõe o branding contemporâneo —, à própria história para fortalecer o pertencimento, inspirar novas gerações e projetar seu futuro, sem precisar ficar inventando “narrativas” para encantar as pessoas.

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Uma rede que coopera

Em tempos de economia de plataformas, as cooperativas e suas marcas contam com mais esta vantagem: sempre estiveram organizadas em rede. Essa é uma característica que antecede e, concomitantemente, fortalece a lógica das redes sociais.

Trata-se de uma estrutura sistêmica, na qual os cooperados formam as cooperativas; estas, por sua vez, se organizam em centrais; e as centrais convergem para uma estrutura nacional. Tudo isso existe para fortalecer o conjunto e ampliar sua capacidade de atuação.

Cooperados→Cooperativas→Centrais→Estrutura nacional

No ambiente interconectado e altamente sensível das redes digitais, é fundamental que esse sistema evolua continuamente para um ecossistema de cooperação cada vez mais orgânico e interdependente. Afinal, o que acontece com uma cooperativa pode, em todos os sentidos, repercutir em todo o sistema.

Quando esse ecossistema é bem articulado, as cooperativas criam melhores condições para fortalecer seu branding, tanto no âmbito local quanto no nacional.

Afinal, em um mundo conectado, não há mais espaço para o “cada um por si”.

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Fáceis de identificar

Para reforçar o propósito, os valores e as práticas que fundamentam o cooperativismo, as cooperativas desenvolveram uma identidade visual própria, registrada e reconhecida internacionalmente.

São símbolos convencionados em âmbito mundial, que identificam e diferenciam as marcas cooperativas.

Anos 1920O tradicional símbolo dos dois pinheiros inseridos em um círculo
A partir de 2013O ícone internacional formado pelo prefixo Coop, de maneira entrelaçada

Presentes nas marcas de cada cooperativa, esses símbolos, acompanhados de suas cores e elementos gráficos, sinalizam ao público a existência de um modelo de negócio diferenciado, baseado na cooperação e na participação. Funcionam como um verdadeiro selo de origem ou uma identificação de procedência, facilitando a escolha de quem valoriza relações pautadas pela cooperação e pela parceria.

No Brasil, o Sistema OCB reforça, ano após ano, a campanha SomosCoop, que tem contribuído significativamente para consolidar e ampliar o branding do cooperativismo no país.

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Educação merece cuidado

Educar também é uma forma de cooperar. Por isso, as marcas das cooperativas dedicam atenção permanente à educação das pessoas. Esse compromisso está entre os princípios fundamentais do cooperativismo: informar, formar e educar cooperados, lideranças e a sociedade.

Em todos os ramos do cooperativismo são desenvolvidos inúmeros programas e ações educativas. Há iniciativas voltadas à educação financeira, à promoção da saúde, ao fortalecimento da cultura do agronegócio e a outros temas de interesse coletivo.

Mas existe um diferencial que merece destaque: as cooperativas educacionais. Formadas por professores, pais, responsáveis e demais integrantes da comunidade escolar, elas se dedicam exclusivamente à promoção de uma educação cooperativista, sustentável e inclusiva.

~200cooperativas educacionais no Brasil
~200 milpessoas atendidas

Fonte: Sistema OCB

São as marcas das cooperativas, literalmente, fazendo escola.

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Movimento que move mundos

Uma vez articuladas em rede e potencializadas pela presença digital, as marcas das cooperativas integram um movimento mundial que não para de crescer e de se expandir por diferentes segmentos da economia.

1 bilhão+de pessoas participam de cooperativas
100+países
~3 milhõesde cooperativas

Fonte: Aliança Cooperativa Internacional (ACI)

No Brasil, essa força também segue em expansão e ainda possui amplo potencial de crescimento.

29 milhões+de cooperados no Brasil
~4,4 milcooperativas em todo o território nacional

Fonte: Anuário Coop 2025, Sistema OCB

Todo esse movimento tem recebido reconhecimento internacional. A Organização das Nações Unidas (ONU), assim como fez em 2012, voltou a declarar 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, reafirmando a importância desse modelo para o desenvolvimento sustentável e para a construção de sociedades mais inclusivas.

Que outra marca representa, mundialmente, uma força tão expressiva de transformação?

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Inovar para transformar

As marcas de cooperativas não apenas preservam uma longa tradição. Também mantêm a inovação como parte permanente de sua atuação, com uma diferença importante: inovam sempre para melhorar a vida das pessoas e fortalecer o desenvolvimento das comunidades.

Os exemplos são numerosos. A Unimed BH, por exemplo, desenvolveu um sistema de teleconsultas que já realizou mais de 1 milhão de atendimentos e vem inspirando iniciativas semelhantes em todo o setor de saúde.

1 milhão+de teleconsultas realizadas pela Unimed BH
500+cooperativas de plataforma no mundo

Diversas cooperativas de crédito também utilizam IA para aprimorar o relacionamento com seus cooperados, agilizar operações e oferecer serviços mais eficientes. No cenário internacional, destaca-se o cooperativismo de plataforma, modelo que combina os princípios cooperativistas com as plataformas digitais e que já reúne mais de 500 cooperativas em diferentes países.

Como estímulo a essa cultura inovadora, o Sistema OCB mantém o Inovacoop, hub dedicado ao compartilhamento de iniciativas de inovação cooperativistas.

A mensagem é clara: cooperação também é sinônimo de inovação e de futuro.

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Sempre abertas a parcerias

Como expressão de um movimento coletivo e solidário, as marcas das cooperativas estão sempre abertas à construção de parcerias e de redes de colaboração.

Uma tendência que vem ganhando força é a participação das cooperativas na criação e no fortalecimento das Indicações Geográficas (IGs), certificações que reconhecem a origem e a procedência de produtos vinculados a determinados territórios. Essas certificações funcionam como verdadeiros selos de identidade, agregando valor aos produtos, fortalecendo a economia local e gerando trabalho e renda para as comunidades.

150+Indicações Geográficas no Brasil
2024Sicoob e Sebrae firmam parceria para estruturar novas IGs no país

Em 2024, o Sicoob, inspirado em experiências desenvolvidas por cooperativas singulares, firmou parceria com o Sebrae para ampliar o apoio à estruturação de novas Indicações Geográficas em todo o país. Hoje, o Brasil já conta com mais de 150 IGs, distribuídas por diversas regiões, fortalecendo economias locais e valorizando a identidade dos territórios.

Inúmeras outras parcerias com instituições públicas e entidades privadas ampliam continuamente essas redes de cooperação, formando verdadeiros territórios colaborativos.

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Cooperar é dialogar

Para concluir, vale destacar mais uma característica essencial das marcas das cooperativas: quem coopera não fala sozinho. Cooperar significa dialogar, ouvir, trocar experiências e construir decisões coletivas.

Nas cooperativas, as pessoas participam, votam, deliberam e compartilham responsabilidades. Dessa dinâmica nasce um ambiente marcado pelo diálogo e pelo fortalecimento das relações entre as pessoas. Coerentes com esses princípios, as cooperativas ampliam continuamente sua presença nas mídias e nas redes digitais, fortalecendo o conhecimento e a relevância de suas marcas no Brasil e no mundo.

44%citavam espontaneamente alguma cooperativa antes
77%citaram espontaneamente o nome de alguma cooperativa em 2024

Fonte: pesquisa patrocinada pelo Sistema OCB, 2024

Esse crescimento demonstra que o cooperativismo vem conquistando cada vez mais espaço no imaginário da sociedade.

Por isso, é fundamental que mais pessoas participem dessa grande conversa sobre o cooperativismo — um diálogo que, na verdade, trata da construção de um modelo mais humano de desenvolvimento, de negócios e de convivência.

Loggia: parceira da cooperação

Este material foi elaborado por Flávio Pina e Levi Carneiro, em nome da Loggia Comunicação, uma organização que tem quase 30 anos de parceria com o cooperativismo. O propósito é disseminar as principais características do branding cooperativo e contribuir para o fortalecimento da cultura da cooperação.

As marcas das cooperativas representam muito mais do que identidades visuais. Elas expressam valores, histórias, propósitos e formas de organização capazes de gerar desenvolvimento econômico, inclusão social e benefícios compartilhados para pessoas e comunidades.

Ao compreender essas diferenças, ampliamos também nossa percepção sobre um modelo de negócio que coloca a cooperação no centro das decisões e demonstra, na prática, que é possível conciliar interesses coletivos, eficiência e inovação.

A Loggia

A Loggia é uma agência de marketing independente, com operações no Brasil, Estados Unidos e Portugal. Desde 1997, combina estratégia, criatividade, dados e tecnologia para resolver desafios de negócio e construir marcas mais fortes.

Ao longo de quase três décadas, tornou-se referência na construção de marcas cooperativas, acumulando um conhecimento profundo sobre um dos modelos de negócio mais relevantes para o desenvolvimento econômico e social do país. Essa experiência se estende a outros setores e organizações de alto impacto, de universidades a startups de saúde e alimentação.

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